O coração do brasileiro pede socorro


Apesar de uma crise de saúde global sem paralelo na história moderna estar nos afligindo há 6 meses, ainda não existem medidas profiláticas comprovadas além do isolamento social, uso de máscaras e lavagem constante das mãos. Para as pessoas de maior risco como cardiopatas, diabéticos, obesos e idosos, a recomendação do isolamento é mais rigorosa.

Há uma necessidade urgente de somarmos nossos esforços e orações para otimizar a resposta da comunidade e do serviço médico para a conservação da vida, reduzindo o impacto físico e mental na saúde. Não deve haver uma divergência entre a saúde pública e a economia; na verdade, elas devem estar interligadas. Estratégias de uma política pública forte reduz a progressão da pandemia e protege a economia.

A Bioética como um estudo transdisciplinar entre ciências biológicas, ciências de saúde, filosofia e direito, que estuda e investiga as condições necessárias para uma administração responsável da vida humana, animal e ambiental, deve estar em alerta principalmente em tempos de pandemia. “A Cardiologia brasileira tem bagagem científica para reivindicar uma identidade bioética nacional, abrangendo nosso pluralismo étnico, cultural e econômico”, segundo afirma Dr. Max Grinberg cardiologista do Incor – SP.

Pacientes cardiopatas, principalmente os que já tiveram Infarto ou Insuficiência Cardíaca pertencem ao grupo de maior risco. Existe uma predisposição para desenvolver a forma mais grave da COVID – 19 provavelmente por alterações em seu sistema imunológico além de um estado inflamatório crônico latente. A obesidade que pode ser adquirida ou aumentada com o isolamento é outro fator agravante desta patologia. Uma meta -análise mostrou que o obeso apresenta 48% a mais de chance de contrair as formas graves da COVID – 19.

Ainda não existe tratamento ficaz e as medidas preventivas já citadas, principalmente o isolamento social, são a melhor estratégia para os pacientes do grupo de risco. Contudo, isto pode acarretar prejuízos para o cardiopata, favorecendo o sedentarismo e a obesidade, fatores de risco importantes já consagrados para o desenvolvimento de doenças do coração. O medo de contágio pode retê-los em casa. Os sintomas de um Infarto do Miocárdio ou da Insuficiência Cardíaca podem ser mascarados pelos sintomas da COVID – 19. Por estes motivos, é importante que os pacientes cardiopatas sigam os tratamentos prescritos por seus médicos comparecendo regularmente às consultas. A procura dos serviços de urgência frente à ocorrência de sintomas ou agravamento da doença deve ser encorajada. Contudo, para que isto possa acontecer, é necessário que nosso serviço médico esteja funcionando adequadamente, principalmente o SUS que atende nossos irmãos menos favorecidos. A estrutura é boa, mas geralmente faltam recursos necessários para um funcionamento adequado. O fortalecimento do SUS com uma gestão correta dos recursos, sem desperdícios ou desvios é um princípio da Bioética que devemos praticar, fiscalizar e denunciar, em nome da preservação e da dignidade da vida. O combate à corrupção deve constar deste “Pacto pela vida e pelo Brasil”. O vírus da corrupção há muito contagia o nosso Brasil e é uma das causas que prejudica a saúde principalmente da nossa população mais carente.

Estratégias de política pública forte incluindo o combate à corrupção reduz a progressão da pandemia e protege a economia. Existe um novo projeto anticorrupção elaborado por 200 especialistas estacionado no Congresso que deveria ser levado à discussão e apoiado por todos nós que estamos empenhados na preservação da vida.

Rezemos para que no Brasil reine a paz, a justiça e a solidariedade para sermos realmente um país livre e feliz.

O coração do Brasil agradece!

Dr. Ernani Furletti Lages
Sócio Remido da SBC
Membro do Comitê de Bioética da Arquidiocese de Belo Horizonte
Chefe do Serviço Médico do Ambulatório da Paróquia Nossa Senhora Rainha

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